Arrumar a casa e organizar as coisas sempre foi um desafio pra muitas pessoas que conheço. Pra mim desde que era adolescente: a realidade de vir de família financeiramente necessitada traz consigo um (mau) hábito de acumulação. Desde as famosas roupas de ficar em casa até “vou precisar disso um dia”, passando pela captação de itens usados de outras pessoas, esse hábito fez e faz parte desse cotidiano.
Junte um hábito com uma realidade financeira que melhorou com o passar dos anos e permitiu que você acumulasse mais coisas: cria-se o monstro do “tenho tudo o que preciso: estou preparado pra tudo” e “vou comprar porque é uma oportunidade, todo mundo precisa de
Embora tente se manter organizado, meu caos criativo em semanas de rush sempre deixa gavetas entulhadas, organizadores de tarefas com tasks em DUE eterno e por aí vai. Se existisse um infográfico pra descrever isso, ele seria:

Quem me conhece sabe o quanto persigo a anos uma fórmula mágica perfeita para organizar tudo o que acontece e deve acontecer na minha vida. São anos de métodos que testei: método Pomodoro, GTD, ZTD… coisas que uso e agradeço aos amigos e universo por terem colocado no meu caminho.
O que naturalmente notei, e acho e muitos também, com o passar dos anos é que quanto mais coisas temos, mais laboriosa e cansativa é nossa tarefa de organizar tudo.
É lógico: se você tem mais coisas, organiza-las dará mais trabalho. Não estou falando da organização de colocar em caixas e esquecer as coisas lá por anos. Estou falando sobre ter sempre as coisas aos lugares aos quais pertencem e se livrar de tudo que não se usa mais. Nessa busca por conhecimento e propósito, me deparei primeiramente com o conceito do Minimalismo. Depois de muita leitura, filmes (um bem bacana é sobre os autores do livro homônimo que tem no Netflix), equívocos como desafio das 100 coisas e afins, isso hoje soa pra mim como:
Minimalismo é ter um estilo de vida que evita excessos e se foca em propósito.
Isso resultou num cartão de crédito com muito mais coisas de comer e ler e menos coisas como gadgets e doideras que tinham um destino certo: o fundo da gaveta.
Muito mais que deixar de comprar, ter olhado nessa perspectiva me deu uma noção clara do acúmulo de coisas inúteis que tinha num estalo que tive ao ver uma gaveta de coisas que guardo com o assunto música.
O minimalismo é suficiente … só que não.
Por mais que você tenha parado de comprar, por mais que você tenha se livrado dos excessos, o desapego é uma tarefa árdua e continuada. Muita gente fala “guarde numa caixa e tire da sua visão” mas meu cérebro SABE que as coisas estão lá e naquele rompante sazonal, você se vê lá no purgatório dos organizadores: tirando as coisas da caixas e inutilmente tentando organizar o não-organizável, que vai desde um afinador de violão de sopro à fios que você nem sabe mais para que serve.
As tentativas foram várias: desde organizar as coisas em caixas por assunto até criar uma gaveta inbox (no melhor estilo GTD) para colocar as coisas que devem ser processadas.
Tudo em vão: as coisas continuavam lá, em lugares diferentes agora. É como jogar Jenga (aquele jogo de blocos de madeira que você tem que tirar um por um) com suas coisas e problemas: você nunca terá dificuldade de mexer em coisas fáceis, mas sempre que precisar de uma mais difícil a possibilidade de dar ruim e você querer (ou precisar) arrumar tudo de novo é real.
O minimalismo, assim como a adoção de qualquer hábito, é um processo duro mas que fala muito de propósito. Por mais que o propósito seja claro, me faltava uma peça chave nele: faltava ação.
Como fazer para não apenas parar de acumular mas também se livrar do acúmulo de uma forma mais saudável e natural?
Um fato era cada vez mais claro: eu precisava me livrar das coisas, mas como jogar fora aquele caderno em branco (eu que sou louco por moleskines e canetas), aquele abafador de som (sou louco por música) e aquele livro de Inteligência Emocional, ainda no plástico (sim, tb sou louco por livros).
Fato da vida e auto-conhecimento imediato: nada disso faz nem faria falta no meu dia-a-dia e não dá pra viver com “se um dia eu precisar, não vou precisar comprar”.

Propósito sem ação é tipo aquele cara genial que você conhece e se pergunta “cara, como esse cara não é milionário?”. O cara sabe o que quer, o cara sabe fazer, o cara é f*da mas ele não consegue acionar isso de forma certa.
A única coisa que importa é colocar em prática, com sinceridade e seriedade, aquilo em que se acredita. (Dalai Lama)
Então estava tudo lá: eu tinha e acreditava no propósito de ser minimalista e ter apenas as coisas que eram essenciais pra mim, mas tinha uma dificuldade imensa de me livrar dos excessos. Mais ainda: a vida traz novos desafios, que representam novas coisas que você precisa lidar e isso se amontoa mais rápido do que eu imaginava.
A Netflix e a Japonezinha tímida salvaram o dia
Zapeando sem rumo pelo Netflix me deparei então com um seriado chamado Ordem na Casa, de uma garota japonesa chamada Mari Kondo. Achei engraçado inicialmente: geralmente os programas de acumuladores uma pegada mais padrão de organização. Depois do primeiro programa, fiquei ainda mais curioso com método dela de organizar tudo de uma vez, descartar muita coisa fora … mas o que realmente me chamou atenção foi a forma de executar o método.
Comprei o livro, chamado A Mágica da Arrumação, e me coloquei em leitura matinal durante toda semana. Tomei outro estalo.
O método KonMari criou um processo repetível de organização e desapego que conversava com o propósito do Minimalismo. Finalmente, o propósito encontrava a ação.
Quando eu falo de encontro, é que porque não é apenas um o quê fazer e como fazer. O minimalismo e o método KonMari tem por debaixo dos panos uma mesma idéia, um mesmo motivo pra tudo: te fazer viver melhor, mais leve e se focando nas coisas que realmente importam.
Foi o mesmo insight que tive quando juntei o GTD (método de organização) com a técnica Pomodoro. Foi o planejar e fazer juntos. :)
O método KonMari em ação
O método é bem simplista na verdade mas tem alguns ritos e fatos muito voltados à conexão entre a pessoa e item que tem duas destinações: ficar com você ou ser descartado, sem meios termos.
- Arrume tudo de uma vez ao invés de pouco a pouco
- Faça isso numa sequência que começa com os itens que tem menos valor sentimento para deixar para o final os que tem alto valor sentimental
- Para cada item, cada mesmo, pense no que ele trouxe e se o seu propósito foi alcançado(uma roupa de frio serviu pra te proteger um dia do frio, um presente cumpriu seu propósito de criar um laço afetivo: eles precisam ainda estar ali?)
- Se descartar, agradeça a cada um dos itens pelo que eles proporcionaram
- Agradeça todo dia pelo uso dos seus itens (Computador, obrigado pelo trabalho duro hoje. Mochila, obrigado por aguentar esse peso)
O livro é bem rápido de ler e fala bem desses passos. :)
What’s next
Leituras feitas, insights estabelecidos. Nas próximas semanas a prática vai começar e vamos ver o que vai rolar. Culturalmente falando, no Brasil é muito mais difícil você simplesmente se livrar de algo que ainda está novo, funciona e/ou tem alguma função prática com seu (futuro) cotidiano. Isso se intensifica quando falamos de realidade social (como falei lá no início) e profissional.
Mas, felizmente, tendo já iniciado com o entendimento do propósito, parece fazer muito mais sentido fazer a ação proposta pelo método com menos desapego e mais objetividade.
Em algumas semanas posto o que rolou, com fotos e espero que mais sorrisos e menos lamúrios. hehehahehaeae Para quem quiser comprar os livros, sugiro ler primeiro o de Minimalismo e depois do da Mari. :)
Simbora.