INTERDEPENDÊNCIA na gestão de TI

Como a (falta de) interdependência influencia na realidade de líderes e gestores de times de TI, por quem já esteve dos dos dois lados.

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Em algumas empresas e realidades, o profissional de TI ainda é pesado pela quantidade de CONHECIMENTO TÉCNICO que ela carrega. O que é conhecimento, nesse contexto e nessa realidade: o cara deve saber TUDO mais que seus subordinados. Desde como funciona aquela linha naquele código até como os servidores se falam naquela nova arquitetura de rede, por mais que ele seja um cara de gestão. :)

Um pouco pior que isso, alguns profissionais não são medidos, mas SE MEDEM dessa forma. Ansiedade, medo de perder o emprego, julgamentos: toda uma miríade de emoções e sentimentos reclusos num baú que ninguém mais tem a chave pra abrir e ver o que tem lá dentro. O clima de competitividade, a realidade brasileira de que “emprego está dificil” e muitas vezes uma criação ou realidade social pré existente.

O cenário é comum e a cena mais comum ainda: problemas colocados na mesa, a pessoa com o cargo de líder/gestor assume a responsabilidade frente aos seus liderados/geridos. Olhos ávidos, outros nem tanto. Um pensamento corta o momento

Esperam uma resposta ou solução. Afinal, eu sou o gestor e mais experiente aqui. O que vão pensar de mim? Tenho que dar alguma resposta.

Ou

Esperam uma resposta ou solução. Eu já tenho e é essa que vamos seguir.

O script dado em algum momento da vida de que “se você é o chefe, você deve saber mais” que muitos de nós recebemos faz a situação seguir seu curso distorcido: o medo de admitir que não sabe ou a convicção que a própria resposta é a melhor, independente das informações à sua volta.

CALMA. :)

Vera Martins, em seu livro super maneiro chamado Seja Assertivo, fala bem sobre a questão da dependência e independência que passamos desde nossa infância e passando pela adolescência. Na fase adulta, a consciência de que somos seres interdependentes não é clara para todos, gerando esse comportamento nocivo e distorcido que levamos aos exemplos acima.

Enquanto a dependência denota imaturidade ou incompetência, qualitativos inaceitáveis para um gestor ou cargo de liderança na visão comum, a independência aparece como um remédio ruim que traveste decisões ruins, times abaixo do seu potencial real e até mesmo relacionamentos que vivem por um fio.

Interdependência é aquela via de mão de dupla onde as partes dependentes sabem onde se complementam, onde adicionam algo que falta na outra e onde sabe que pode fazer algo sozinho, sem julgamentos, com naturalidade.

Já ouvi de um grande amigo e gestor, num estilo de gestão inclusivo e delegação que acho que ele leva a cabo até hoje, que lhe fizeram a seguinte pergunta quando ele dissera que qualquer um poderia substitui-lo se ele faltasse em algum momento.

Você não tem medo que você seja substituído, já que seus subordinados fazem tudo que você também faz?

É essa as vezes a visão externa e visão interna que temos sobre essas pessoas que ocupam cargos que demoram anos para serem conquistados.

Cartas na mesa, sempre digo às pessoas que num time, muito mais importante que um cargo são os papéis das pessoas para resolver um problema. Coloquei isso à prova durante esses mais de 20 anos de trabalho, como líder e como liderado, com resultados sempre bacanas. É um aprendizado contínuo, onde devemos nos despir do medo do julgamento e entender que liderar é juntar tudo que existe de bom no seu time e partir pra porrada. (rs)

É um processo difícil, mas imprescindível para que um time se desenvolva de forma saudável, mental e tecnicamente.

Pro líder:

  • Você é um papel e todo papel pode ser feito por outra pessoa se assim fizer sentido: líderes situacionais são sempre uma forma natural das pessoas aprenderem, evoluírem e principalmente todos entendam também que liderança é um papel. Um problema pode ter como líder o estagiário que sabe como fazer algo ou tem uma idéia melhor que a sua. Não se reprima nem se sinta menor por isso. Esse mesmo estagiário vai ser o gerente que pode te substituir em alguns anos. :)
  • Não se sabote achando que uma resposta SUA deve ser dada, apenas porque você é líder ou mais experiente no time, a não ser que você tenha certeza que ninguém mais terá uma resposta melhor que a sua. Como líder, você deve escolher a melhor resposta, mesmo que ela não seja sua.
  • Não tenha medo de admitir que não sabe :) muita gente vive o fantasma do marketing pessoal perverso, uma máscara residual desenhada pela sociedade ou a ansiedade dos olhos que parecem observar o tempo todo um deslize. Você não precisa saber tudo, mas precisa estar bem informado sobre e que consequências, boas ou ruins, isso vai ter na sua vida ou trabalho.
  • Permita que as pessoas evoluam: se você for um verdadeiro líder, as pessoas enxergarão em você um exemplo e talvez até roteiro de como chegar na mesma posição que você. Não sabote elas diminuindo o que elas são, fazem ou fizeram. Elogie genuinamente um bom trabalho, não torne isso algo vazio e critique sempre que achar que precise criticar.
  • Se permita errar! :)

Pros liderados:

  • Seu líder é um cara que tem problemas como os que você tem, mas em esferas e impactos diferentes. Não o julgue por um dia ruim nem espere que ele seja sempre o culpado quando algo deu errado, mesmo que por escolha dele.
  • Interdependência é, novamente, uma mão de via dupla. Entenda seu papel e faça seu líder entender o papel dele. Todos entendem o quanto podem assumir (independência), o quanto precisam de alguém pra fazer algo (dependência) num equilíbrio constante de bom senso.

Espero que o texto tenha ajudado a refletir um pouco sobre.

Simbora. :)