Seu rosto é o seu novo cartão de crédito

Era 2002 e um recém lançado Minority Report desafiava nossos cérebros com um futuro utópico de 2054, onde os crimes eram "previstos" pelos…

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Era 2002 e um recém lançado Minority Report desafiava nossos cérebros com um futuro utópico de 2054, onde os crimes eram “previstos” pelos preCogs e uma polícia pré-crime pra evitar os assassinatos: tudo isso com um QG onde as telas de computador foram substiuídas por uma tela “no ar” com realidade aumentada e reconhecimento facial. Algo maluco mesmo.

Estamos em 2019 e não apenas a realidade aumentada agora está ao alcance das mãos (e dos olhos) através de celulares e óculos especiais, como o reconhecimento facial tomou seu lugar de realidade. Literalmente, hoje conseguiríamos reproduzir fielmente aquela cena icônica do Tom Cruise mexendo nos quadrinhos flutuantes com as mãos, reconhecendo pessoas através de câmeras nas ruas.

Philip K. Dick, William Gibson e tantos outros autores geniais de ficção sempre imaginaram que o reconhecimento facial aconteceria muitos anos depois do que estamos.

A realidade é que a tecnologia permitiu não apenas chegarmos muito próximos de reconhecer uma pessoa de forma muito confiável, como também explorar as aplicações infinitas que essa possibilidade traz.

Uma delas, e que reflito nesse post, é sobre como o reconhecimento facial irá substituir (acho que até bem rapidamente) a forma de se autorizar e efetuar um pagamento em smartphones, checkouts e todo contexto em que o cliente precisa de comodidade e a empresa precisa de velocidade.

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O Alipay, parte do grupo Alibaba - que dispensa comentários -, lançou a pouco tempo o “Smile to Pay” na China, onde toda a transação é paga com um sorriso. :)

Na verdade, o sorriso serve para autorizar o uso de um cartão de crédito como fazíamos com nossas senhas e algumas vezes nossa digital nos smartphones.

Dei esse exemplo logo de cara pois temos dois pontos super importantes aí e que geram muita discussão sobre o tema: embora seja normal na China ser monitorado pelo Governo, a utilização do rosto como uma forma de autenticação está levando à uma série de discussões sobre privacidade, que já foram ou são amplamente discutida em outros países.

Embora seja uma preocupação real e genuína, já sabemos de forma velada que o Google e tantas outras empresas armazenam e estudam todas as nossas informações em praticamente qualquer lugar. Então, penso se é válido o desespero.

O outro grande ponto é sobre os ataques à esse tipo de autenticação. Embora senhas sejam amplamente utilizadas (e “hackeadas”), utilizar o rosto leva o atacante a um problema que é saber qual o rosto do e-mail leo*****@gmail.com, por exemplo.

Mesmo parecendo um dificultador, ataques de engenharia social se tornam mais simples: se o atacante conhece a vítima, seria simples ele só pegar uma foto no facebook, imprimir e colocar na frente da câmera para comprar o que quiser com a foto da vítima? A resposta é sim e não.

Sim, porque em câmeras convencionais a leitura do rosto não permite extrair uma quantidade de informações relevante para um reconhecimento mais preciso. Não, porque com uma câmera específica (que lê profundidade por exemplo) o modelo computacional fica muito mais completo: portanto, permitindo uma abordagem de reconhecimento facial mais seletiva. Não só a leitura fica mais precisa, mas também é possível aplicar algumas técnicas que permitem identificar um rosto de uma pessoa “em pessoa” de uma foto ou representação digital desta.

O pagamento com reconhecimento facial chegou à vários outros lugares está chegando cada mais em nossa vida, pouco a pouco. :)

Você: pagaria algo usando seu rosto?