Dentro da caixa

Do que percebemos, pouco vai além do abrir-se uma caixa. O invólucro de mistério concebe ali, de momento, a esperança meio tênue da…

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Do que percebemos, pouco vai além do abrir-se uma caixa. O invólucro de mistério concebe ali, de momento, a esperança meio tênue da surpresa esperada, do salva-guarda à ansiedade já esperada.

De menção, a pura existência materializa por si só um universo de possibilidades distribuídas em sentimentos variados pavimentados sobre o querer-logo e o podia-chegar-hoje. Será talvez uma conexão improvável criada entre embalado e embalador? Exista talvez no início um pedaço do sonhador materializado dentro do espaço contido pelo criador?

Fita, adesivo, Fita, vejo a caixa. Fito. É ela.

Os dedos apertam-se em paralelo… eles sabem. Em dado momento aquele objeto tornou-se o centro do Universo, a razão pela qual seu dia valeu a pena ser vivido, a pedra lançada sobre o cotidiano inerte. Sua chegada por si perturba a simetria do tecido frágil do hoje-é-mais-um-dia.

A forma não dura. Mãos suas, olhos, alheios, despem plásticos, papel e etiquetas. Poucos se atém à memória do remetente, guardado ali, por vezes e já incompleto, num canto de rasgo recém criado. É verdade que as vezes o rompante é tal, um lapso de individualidade insconsciente. Mas não é, fundamentalmente, o momento de felicidade extrema um momento só seu?

Dias de espera, conjecturas, almejações, se projetam todas de uma só vez. O interesse desnuda camadas em sua voracidade implacável. A irracionalidade conduz a ação.

Algo então dissipasse.

Dissocia-se, talvez, um vínculo que nunca conseguiremos enxergar. A caixa agora é apenas um pedaço de papel vazio, sem significado, pronto para ir para o lixo, um retiro no esquecimento. O código de rastreamento, uma vaga lembrança dos dias de um misto de felicidade, ansiedade e até revolta.

Para onde vão todas as caixas das nossas vidas?